De volta à realidade
Data:
04/07/2010
O Brasil tira as chuteiras... e as bandeiras. Retorna à normalidade e cai em sua realidade. Se o sonho acabou, e a Copa não veio, bobagem, a gente engrena a primeira e segue em frente, para pensar mais no Brasil de emoções e contradições. E se não tem gols, tem votos que, de alguma forma, somos nós que marcamos para conduzir os destinos do Estado e do País por mais quatro anos, quando uma nova disputa pelo hexa nos anestesia e nos deixa em sintonia com a esperança de vitória. O Brasil vive essa rotina. A cada quatro anos Copa do Mundo e eleição. É melhor perder a primeira do que a segunda. Se não acreditam, perguntem a quaisquer candidatos - majoritários e proporcionais - que inundam esse País. Para nós a Copa acabou. E isso passa já. Mas pode perdurar, por muitos anos, a tragédia que pode ser a escolha de um candidato que não seja o melhor para administrar o nosso caminho, ou nos representar nas Assembleias e Câmara Federal. A conquista maior de um povo - mesmo apaixonado por futebol - é escolher o que for melhor para a pátria, dentro dos projetos e programas que a partir de sábado começaram a ser exibidos, ainda de forma tímida, por políticos que pretendem manter seus mandatos, conquistá-los ou reconquistá-los. É ótimo torcer sempre pelo Brasil, quando ele corre atrás de uma bola para conquistar um título mundial. Mas é melhor fazer um país se manter de pé, crescendo, evoluindo, progredindo, prosperando, não para ganhar uma taça ou um título esportivo, mas para acabar com a miséria, com a violência, com as injustiças sociais. Esse é o campeonato que temos de vencer para nos orgulhar de um Brasil que não esteja no ranking dos países mais corruptos do mundo. Esse título ninguém quer e, assim como nos entregamos de corpo e alma à disputa pela Copa do Mundo, vamos nos dilacerar em defesa de um Brasil honesto, sério, sem privilégios e que também sirva a uma gente que não tem moradia, não tem terra, não tem trabalho, não tem Educação, não tem Segurança, mas ainda encontra forças para aplaudir os kakás, os Robinhos e tantos outros que são astros, moram no exterior e têm salários milionários. Então, vamos adiante, porque a nossa realidade, sem firulas e pieguices, é aqui, com o início de uma campanha política para a escolha de governadores, deputados estadual e federal, senadores e presidente da República. Esse sim, é o nosso campo de atuação, em que a teclada bem dada no número do candidato que for melhor para todos nós, é o gol mais certeiro e que deve ser mais valorizado para a nossa vida. É aqui que decidimos o futuro, não em curto espaço de tempo - 90 minutos apenas - mas por pelo menos mais quatro anos, que podem valer uma eternidade. Neste momento as candidaturas estão postas, inicia-se um jogo de muitos interesses, onde a bola pode ser o eleitor que não tiver a sensatez de escolher o melhor para administrar o Estado e representá-lo no legislativo. O voto de cada cidadão - lembre-se disso - é uma procuração que se dá a pessoas da mais inteira confiança, a fim de decidir por cada brasileiro de todos os recantos desse imenso país. Esse é o ato mais importante do brasileiro. Importante e responsável. Muito mais do que colocar uma camisa verde-amarela e se reunir em bares para comemorar apenas um gol, numa alegria momentânea, para não dizer ilusória. A partir de agora, todos sem as chuteiras, o melhor é pensar no Brasil real. Esse que às vezes marca gols contra um povo que precisa amar o seu país com o mesmo fervor que se apaixona pelo time de futebol. É hora de vestir o vermelho, o verde, o amarelo, o azul, tantas quantas forem as cores das legendas, para fazer a Nação que cada um ache melhor, com a responsabilidade de colocar sempre o país à frente das nossas ilusões, porque ele será a nossa mais crua realidade. Bom ou mau, mas é dele que vivemos e dependemos. Seja mais Brasil... vote bem. Para isso acompanhe, cobre, discuta. Escolha o melhor... escolha você.
]http://twitter.com/braynerr
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