PSDB, o vice e o DEM
Data:
27/06/2010
Há um início de crise no relacionamento dos dois principais partidos da oposição no País. A indicação do senador tucano Álvaro Dias (PR), para compor a chapa majoritária do presidenciável José Serra, desencadeou uma série de reações do DEM, com ameaças até de rompimento com o PSDB. Através do seu Twitter, o vice-presidente do Democratas, deputado federal Ronaldo Caiado, foi quem fez a primeira ameaça de rompimento da aliança nacional em torno da candidatura de Serra. Foi duro: "com um aliado desse, o DEM não precisa de inimigo. Vou defender dentro da executiva o fim da aliança com o PSDB", disse Caiado, com endosso de vários dos seus seguidores. Reclamou da falta de comunicação dos tucanos e disse que seu partido ficou sabendo de tudo pela imprensa. Ainda no Twitter, alfinetou: "Se na campanha nos tratam assim, imaginem se o PSDB ganhar a eleição?". O DEM já havia avisado que só aceita abrir mão da indicação, se o vice da chapa for Aécio Neves. Alguma razão está fazendo a oposição seguir um caminho que não parece o mais correto. E isso anima integrantes da organização de campanha da ex-ministra Dilma Rousseff (PT), como foi o caso do presidente petista, José Eduardo Dutra, que demonstrou contentamento com a turbulência que atinge o voo tucano, esnobando que está em "céu de brigadeiro". Sexta-feira, no final da tarde, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, acompanhado do presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, aterrissou em seu jatinho no aeroporto de Aracaju. Seguiram direto para o apartamento do deputado federal tucano Albano Franco, para uma reunião que tentava solucionar problemas surgidos em Sergipe, com a desistência do PSDB em integrar a aliança com o DEM. Não tiveram muito tempo para conversas. Primeiro porque Guerra e Maia sequer tinham almoçado. O fizeram entre uma reunião tumultuada por telefonemas de todo o Brasil, querendo informações sobre a indicação de Álvaro Dias para vice de Serra. Políticos, jornalistas, presidentes de partidos - entre eles, Roberto Jefferson, do PTB - entraram em contato com Guerra para tratar da formação da chapa do candidato José Serra, o que praticamente impediu um aprofundamento da conversa que deveria ser mais longa, em Aracaju. Em menos de duas horas a aeronave levantou vôo rumo a Brasília, para intensas reuniões, com o objetivo de retomar o entendimento e evitar que o incêndio se alastre. Por toda essa semana que está se iniciando, o assunto será tratado como prioritário, porque há irritação entre os democratas de maior quilate e influência para o êxito da candidatura de Serra como candidato a presidente. Em Sergipe o cenário montado com a decisão de Albano Franco em lançar candidatura independente se mantém inalterado. Há apenas o posicionamento, mas nada ainda oficializado. E isso mantém alguns candidatos do DEM ainda esperançosos de que essa crise seja resolvida, porque imaginam que é bom para as duas candidaturas. Os dois partidos farão coligação na terça-feira, nas cinzas dos festejos juninos. Na data não cabem mais rojões, nem casamentos diante da fogueira. Ser ou não ser, será a questão, que pode ou não ser má ou boa para as duas candidaturas. O melhor é levar em consideração o desgaste do relacionamento entre lideranças e membros comuns dos dois partidos no Estado, o que levou a essa dificuldade de aliança, para a disputa de mandatos majoritários. Há previsão de que a estrutura de oposição pode mudar, porque a um novo grupo se formando e um partido deixando o campo que sempre atuou, sem deixar de apresentar um clima de arritmia, que incomodava o tom dos discursos. Até terça-feira pode perdurar esse clima de "sim" e "não". Já na quarta-feira a decisão será tomada e cada um pode seguir o seu caminho, interrompido apenas uma vez - em 1998 - das eleições de 1982 para cá.
]http://twitter.com/braynerr
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