Traques e bombas
Data:
24/06/2010
A cada quatro anos Sergipe tem um São João mais quente que os demais Estados do Nordeste. Aliás, é um período afeito ao fogo. Fogueiras, fogos, folguedos, forró e festa. Muita festa. Talvez seja a melhor parte para um região que tem os maiores índices de desigualdades sociais, junto com o Norte. Atrelado a esse clima de cultura regional, tem-se uma outra atividade que, de alguma forma, esquenta o ambiente nestes períodos da mais singela forma de referenciar os santos do período (João e Pedro), que são as articulações para a formação de composições que disputarão as eleições do ano. E, coincidentemente, é exatamente na semana que os festejos têm os termômetros mais altos, que também aumenta a temperatura das alianças em que um ou outro ressentimento cria obstáculos. É o caso agora do DEM e PSDB, que conversaram, conversaram, conversaram e conversaram, mas no final sentem dificuldade de algum entendimento que mantenha os dois unidos para o pleito. O ex-governador João Alves Filho (DEM), que é pré-candidato a governador nas eleições de outubro, não se aliou ao deputado federal Albano Franco (PSDB) e já consolidou a chapa com o PPS, tendo como vice-governador Nilson Lima e ao Senado o advogado Emanuel Cacho. Ficou a vaga para outro nome a senador, que pode ser utilizada pelo deputado petista. Aliás, era essa a chapa que tanto João quanto Albano, nos momentos em que conversavam, defendiam. As críticas feitas por segmentos dos dois partidos aos candidatos majoritários dos dois partidos foram as labaredas que esquentaram sentimentos e provocaram o afastamento. Albano já decidiu que vai disputar o mandato em chapa independente e conversa hoje com o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), que antecipou a sua preocupação nesse sinal de racha, em razão do prejuízo que pode causar à candidatura de José Serra a presidente da República. Quem não se lembra da pendenga de 2006. Exatamente há quatro anos, quando o PSDB fincou pé para não se coligar com o DEM e apoiar a candidatura de João Alves Filho a governador. Albano lutou dentro do ninho tucano para que o acordo fosse feito, mas alguns tucanos se rebelaram e voaram para a então oposição, que à época tinha também Marcelo Déda candidato a governador. Foi uma imposição da Direção Nacional que Albano acatou e segurou, o que provocou uma debandada da legenda para a aliança petista, o que transformou o PSDB, um partido grande, em uma sigla menor e de pouca opção. E é assim, ao acenderem-se as primeiras fogueiras do São João, acendem-se também as chamas das divergências que, naturalmente, permeiam duas legendas que se amam e se odeiam, num inexplicável sentimento de rejeição. Claro que não vai ficar assim. As Executivas Nacionais dos dois partidos - provavelmente o próprio José Serra - deve interferir para apagar este incêndio, mesmo que a presidente dos tucanos, vereadora Miriam Ribeiro, em pelo menos duas entrevistas, tenha declarado que a decisão é montar uma chapa independente, com Albano Franco ao Senado e candidatos proporcionais à Assembleia e Câmara.
http://twitter.com/braynerr
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