Rebeldia cristã
Data:
01/06/2010
Alguns deputados do grupo liderado pelo empresário Edvan Amorim (PR) estavam indóceis ontem em razão do noticiário sobre o fechamento da aliança com o grupo que tem à frente o governador Marcelo Déda (PT), que ocorrerá na tarde de quinta-feira, depois de uma conversa para definição de posição. Segundo uma fonte bem avisada do grupo, sempre bem informada do que está acontecendo no meio do bloco partidário, já foi tudo absolutamente fechado e sacramentado, mas ficou faltando apenas uma pequena - e até simples - exigência que Déda vai atender, mas pediu seis dias para que isso se concretizasse. Seis dias foi o tempo suficiente que o próprio Amorim queria para viajar a Minas Gerais e ver como estava sua propriedade. O lado do Governo já está com a trinca passada, mas o empresário preferiu dizer aos seus aliados que ainda não foi definido. Pela primeira vez o pessoal demonstrou uma certa rebeldia. O próprio Edvan Amorim já havia dito que o bloco tem uma unidade tal, que ninguém seria capaz de tomar algum tipo de atitude sem primeiro ouvir o comando. Não foi bem assim que aconteceu entre membros dos partidos que formam a bancada. É a primeira sinalização de que todos devem seguir a mesma orientação, desde que os interesses de cada um - alguns conflitantes - não sejam atingidos. Recebi um telefonema irritado, ontem, de um candidato que reclamou: "Amorim tem carta branca para conversar com todos os nomes que disputam a sucessão, não apenas com o lado que ele considerar melhor para eleger o candidato majoritário". Acrescentou que ele conversou com Déda, e é verdade, "mas também precisa conversa com João Alves, com Nilson, enfim, abrir o leque para que se veja a melhor opção". - Não é nada disso que nenhum deles deseja, disse-me um parlamentar que ouve a todos, mas não participa do grupo. Os deputados desejam ser ouvidos pelo governador Marcelo Déda e saber o que vai caber a cada um, como será a coligação, enfim, o que terão para apoiar uma aliança majoritária que não lhes oferece nada. Há uma verdade: Edvan Amorim terá que reunir os partidos de sua base e mostrar que o interesse maior não é apenas integrar a chapa para o Senado, mas que se faça um bom número de deputados e que a luta é por todos. Se isso não acontecer, se por ventura Amorim fechar e o pessoal discordar, não será bom, como reconhece um dos mais cordatos membros do grupo, porque no afunilamento para a formação do bloco, todos querem passar folgado na parte mais apertada. Lembram de uma fonte que eu citava como enigmática, que dizia "é jogo de profissional, rapaz, é jogo de profissional?" Pois bem, não tem mais essa impressão, porque algumas atitudes, atos e gestos são de iniciantes em um processo eleitoral. Numa eleição existem vários caminhos que cada setor deve percorrer para chegar a um final de bons resultados. Divide-se na publicidade, na estratégia de marketing, na arrumação de peças importantes para o crescimento de campanha e na operacionalização do projeto. Talvez o mais importante, paralelamente o mais fácil de executar, dependendo, logicamente, da boa performance do candidato. Se o nome é bom, operacionaliza-se melhor, mas não há nenhuma genialidade nisso. Talvez coragem, discernimento e poder de convencimento de um produto que depende da vontade popular. Mas a base de uma boa campanha, depois de um nome forte para disputar o pleito, é o conjunto de ações que gira em torno da arquitetura política e da visão de divulgação. É isso que complementa a operacionalidade. Como a estrutura mantém-se forte, na proporção em que todos estejam juntos e ligados ao mesmo objetivo, sem um comando que siga apenas o que determina o seu nariz, é natural que o bloco caminhe ordenado em busca do que for melhor para a estrutura já fincada e que possa ser fortalecida, mas nunca para o levantamento de uma única pilastra. Essa é uma ponte que exige base segura, sem sacrificar ninguém. É difícil acontecer, porque a união deu certo, mas se houver qualquer tipo de dúvida, se alguém não tiver segurança de que é peça importante, pode sair e ser exatamente aquela pedrinha que sustenta toda a pirâmide. Conselho e caldo de galinha não fazem mal a ninguém...
http://twitter.com/braynerr
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