A senzala e a casa grande
Data:
29/03/2007
RIO - Logo depois da "Revolução de 30", os jornais noticiaram a possibilidade de os Estados Unidos penhorarem o ouro brasileirodepositado lá para pagamento de nossa dívida externa. Getulio ficou irritadíssimo. Gilberto Amado veio de Nova York, foi conversar com ele: - Getulio, tu precisas ir lá. Os Estados Unidos excedem em tudo quanto se possa imaginar. Nova York é uma cidade ciclópica e tentacular. Alguma coisa de inacreditável, pela grandeza, pelo progresso. Getulio ouvia em silêncio, charuto na boca: - Nada disso, Gilberto. O cérebro deles é de cimento, chiclete e matéria plástica. E nunca foi lá. Quando, na guerra, Franklin Roosevelt quis conversar com ele, teve de vir ao Brasil, de cadeira de rodas. NOGUEIRA BATISTA - Nem tanto, nem tão pouco. Mas a cabeça servil e colonizada de certa elite brasileira confirma que a Senzala não resiste ao perfume da Casa Grande. O professor Paulo Nogueira Batista, um intelectual de verdade, livre e lúcido, que acaba de assumir a representação do Brasil no Fundo Monetário
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